terça-feira, 18 de maio de 2010
Greenpeace chega a acordo com canadá que define moratória de três anos no corte da Floresta Boreal.
Greenpeace volta ao ártico
Na primeira etapa, o foco é a acidificação dos oceanos. Eles funcionam como uma "esponja" e absorvem, a cada ano, cerca de 8 bilhões de toneladas de CO2 do ar, muito desse volume gerado pela queima de combustíveis fósseis. Esse processo, contudo, tem um limite. Se as emissões de CO2 continuarem a subir, em 2060 a acidez dos oceanos pode ser 120% mais alta – maior mudança sofrida pelos mares em 21 milhões de anos. A sobrevivência dos corais, plâncton e outros seres marinhos fica criticamente ameaçada.Espera-se que a região ártica seja a área mais atingida por esse processo químico, porém ele é uma ameaça a toda vida oceânica. Para coletar mais informações sobre esse campo, cientistas do Instituto Leibniz de Ciências Marinhas (IFM-Geomar), da Alemanha, carregam no Esperanza 30 toneladas de equipamentos científicos, incluindo nove sistemas de monitoramento marinho chamados "mesocosmos", que serão lançados nas ilhas Svalbard. Eles esperam coletar dados suficientes para formar o estudo mais amplo já feito sobre a acidificação.
Menos gelo
Na tentativa de conquistar "direitos de exploração" dos estoques pesqueiros, de novas rotas de transporte e de petróleo, gás e minerais, os países olham com interesse o contínuo derretimento no Ártico. A segunda etapa da expedição vai estudar e documentar a formação de uma nova rota marítima, que se formou no Ártico com o degelo. A indústria avança nessa nova fronteira, desde já colocando em risco o ambiente e a vida selvagem na região, por conta de um modelo exploratório sem controle.O cientista Peter Wadhams, diretor do Grupo de Física Oceânica Polar da Universidade de Cambridge (Grã-Bretanha), vai embarcar no Esperanza em agosto para analisar a espessura do gelo e o ritmo de derretimento, em continuidade ao trabalho iniciado na expedição do Greenpeace realizada no ano passado.O Oceano Ártico merece ser totalmente protegido como uma reserva marinha. O Greenpeace pede uma moratória de todas as atividades industriais na região, incluída a pesca. Algo similar já foi feito na Antártida, onde uma moratória assinada em 1991 por 39 países proíbe, por 50 anos, todo tipo de exploração mineral.Apesar das diferenças entre os dois polos – a Antártida é um continente cercado pelo oceano, enquanto o Ártico é um oceano cercado por terra –, ambos têm muito em comum. Seus ecossistemas são incrivelmente frágeis e suscetíveis às atividades humanas.