terça-feira, 18 de maio de 2010

Greenpeace chega a acordo com canadá que define moratória de três anos no corte da Floresta Boreal.

Acordo ambicioso e inédito entre a Associação de Produtos da Floresta (APF), organização canadense que regula empresas do setor de madeira e celulose, e uma coalizão de nove ONG´s, entre elas o Greenpeace, selou oficialmente moratória de três anos para derrubadas na Floresta Boreal do do Canadá.O acordo cobre uma extensão de florestas públicas de 72 milhões de hectares – ou duas vezes o tamanho da Alemanha. Destes, 29 milhões de hectares são de Floresta Boreal, a maior e mais antiga da América do Norte. Sua paisagem de rios, lagos, rochedos e gramíneas é lar para animais selvagens, entre eles, uma espécie de alce em perigo de extinção, santuário para milhões de aves migratórias, além de ser um dos maiores estoques terrestres de carbono do planeta, armazenando 25 bilhões de CO2, ou o equivalente às emissões de 12 bilhões de carros por ano.Além da moratória, as empresas membros do APF, que fazem uso de dois terços de todas as florestas certificadas do Canadá para fabricação de derivados de madeira, como fibra, polpa de celulose e papel, comprometem-se a seguir padrões de manejo ambiental pioneiros no mundo e desenvolver planos de longo prazo para a recuperação da floresta e proteção da espécie de alce ameaçada. “Esta é nossa melhor chance de salvar o alce destes bosques, proteger permanentemente a Floresta Boreal, garantir o armazenamento de um imenso estoque de carbono mundial e estabelecer práticas responsáveis inéditas para nossas florestas”, comemora Richard Brooks, Coordenador da Campanha de Florestas do Canadá. Avrim Lazar, presidente da APF, também celebrou a coalizão com os ambientalistas: “As empresas que compõe a Associação identificaram uma forma mais inteligente e produtiva de conciliar desafios econômicos e ambientais”O acordo coroa uma ação de sete anos em favor da conservação da Floresta Boreal canadense. Em agosto de 2009, o Greenpeace também conseguiu que a fabricante de lenços de papel e papel higiênico Kimberly-Clark, detentora das marcas Kleenex, Scott e Huggies, zerasse o uso de fibra proveniente de florestas ameaçadas ou importantes para conservação no Canadá. “A vitória obtida pelo Greenpeace e outras oito ONGs contra os destruidores das florestas no Canadá, consolidada no acordo assinado hoje, além de grande notícia para a biodiversidade e o clima no planeta, demole o discurso pseudo-nacionalista de gente como o deputado Aldo Rebelo e a bancada da motosserra no Congresso, que justificam o desmatamento acusando quem defende florestas aqui de fazer parte de uma conspiração imperialista contra o desenvolvimento do Brasil”, diz Paulo Adário, diretor da Campanha de Amazônia do Greenpeace brasileiro.

Greenpeace, em coalizão com ONG´s ambientais, chega a acordo histórico com empresas no Canadá que define moratória de três anos no corte da Floresta

Greenpeace volta ao ártico

O Ártico está esquentando mais rápido do que qualquer outro lugar do planeta. À medida que o gelo reduz, gradualmente, ano após ano, o frágil ecossistema marinho da região é afetado e os pesqueiros avançam para o norte, explorando estoques antes fora de seu alcance. Ao mesmo tempo, os níveis elevados na atmosfera de dióxido de carbono (CO2), principal gás do efeito estufa, mudam a composição química da água, deixando-a mais ácida – e aumentando o risco à vida marinha.Nesse contexto, o Greenpeace lança hoje (12 de maio de 2010) a expedição "Ártico sob pressão". O navio Esperanza parte nesta semana, com cientistas a bordo, para investigar as mudanças que o Ártico tem sofrido, e mantém o trabalho durante o verão no Hemisfério Norte. A expedição ajudará a formar um quadro mais claro sobre os impactos ambientais na região.

Na primeira etapa, o foco é a acidificação dos oceanos. Eles funcionam como uma "esponja" e absorvem, a cada ano, cerca de 8 bilhões de toneladas de CO2 do ar, muito desse volume gerado pela queima de combustíveis fósseis. Esse processo, contudo, tem um limite. Se as emissões de CO2 continuarem a subir, em 2060 a acidez dos oceanos pode ser 120% mais alta – maior mudança sofrida pelos mares em 21 milhões de anos. A sobrevivência dos corais, plâncton e outros seres marinhos fica criticamente ameaçada.Espera-se que a região ártica seja a área mais atingida por esse processo químico, porém ele é uma ameaça a toda vida oceânica. Para coletar mais informações sobre esse campo, cientistas do Instituto Leibniz de Ciências Marinhas (IFM-Geomar), da Alemanha, carregam no Esperanza 30 toneladas de equipamentos científicos, incluindo nove sistemas de monitoramento marinho chamados "mesocosmos", que serão lançados nas ilhas Svalbard. Eles esperam coletar dados suficientes para formar o estudo mais amplo já feito sobre a acidificação.

Menos gelo

Na tentativa de conquistar "direitos de exploração" dos estoques pesqueiros, de novas rotas de transporte e de petróleo, gás e minerais, os países olham com interesse o contínuo derretimento no Ártico. A segunda etapa da expedição vai estudar e documentar a formação de uma nova rota marítima, que se formou no Ártico com o degelo. A indústria avança nessa nova fronteira, desde já colocando em risco o ambiente e a vida selvagem na região, por conta de um modelo exploratório sem controle.O cientista Peter Wadhams, diretor do Grupo de Física Oceânica Polar da Universidade de Cambridge (Grã-Bretanha), vai embarcar no Esperanza em agosto para analisar a espessura do gelo e o ritmo de derretimento, em continuidade ao trabalho iniciado na expedição do Greenpeace realizada no ano passado.O Oceano Ártico merece ser totalmente protegido como uma reserva marinha. O Greenpeace pede uma moratória de todas as atividades industriais na região, incluída a pesca. Algo similar já foi feito na Antártida, onde uma moratória assinada em 1991 por 39 países proíbe, por 50 anos, todo tipo de exploração mineral.Apesar das diferenças entre os dois polos – a Antártida é um continente cercado pelo oceano, enquanto o Ártico é um oceano cercado por terra –, ambos têm muito em comum. Seus ecossistemas são incrivelmente frágeis e suscetíveis às atividades humanas.